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sábado, 25 de abril de 2009

A diferença entre ditadura e democracia

A diferença entre ditadura e democracia. Revisada e ampliada em 26/01/2012

Na ditadura as pessoas querem delegar as próprias responsabilidades a uma minoria. Caso estas errem é fácil culpá-los e se livrar de responsabilidades.

Na democracia a responsabilidade é de todos, e isto incomoda o ser humano. De certa forma o ser humano é indolente. Por isso existem os líderes, ditadores, profetas etc.

Ditadura é melhor, pois não há necessidade de pensar muito: matar é melhor. Mata-se e pronto. Furtou uma maçã? Não há justificativas: cadeira elétrica.

Numa democracia veria o porquê do ato. É costumeiro tal ato? A sociedade em si se mobiliza para diminuir as desigualdades sociais? A sociedade se desempenha na fiscalização dos bens públicos?
Ditadura é um colírio. As notícias são filtradas e reeditadas. Mostra-se apenas o lado bom. Miséria não existe.

Democracia é amarga. Mostra os dois lados da vida: felicidade e aberrações. Pode ter distorções, persuasões, mas as pessoas podem pensar por elas mesmas e dizer o que pensam.
Vivi um pouco da ditadura. Claro que os assaltos eram eventuais, tínhamos mais segurança nas ruas, não existiam as milícias e nem traficantes desafiando o poder público. Mas na democracia? Nossa o inferno astral na Terra. Por quê?

A diferença era que na ditadura só podia ser corrupto uma minoria. Aí daquele que quisesse tomar o trono seria fuzilado.
Na democracia, não. O trono está disposto para qualquer pessoa – de má índole e munido de muito dinheiro.
Penso assim: a nossa nação só será nação saudável quando cada pessoa amar a si, a própria família e o país. Amar a si, pois quem se ama não quererá a corrupção porque corrupção gera corrupção e corruptos matam por poder e manutenção do poder que adquiriram; amam a própria família quando se empenham na manutenção dos valores altruísticos e tratam os “iguais como iguais e desiguais como desiguais” – ninguém precisa ser um erudito para saber que desrespeitar e subtrair outras pessoas cria e mantém uma mentalidade perversa; o retorno atingirá todos e até a própria família.

País porque é da terra que mora e se tira as necessidades básicas para a própria sobrevivência. Sabe que “vender o próprio país” é vender a própria vida, pois qual nação realmente democrática – cidadãos conscientes – deseja uma pessoa que vendeu o próprio país? No final venderia o alheio.

Corrupção existiu e sempre existirá enquanto mentalidades estreitas e momentâneas verem somente o ego, o lado pessoal. Democracia exige respeitos, consideração, responsabilidades perante o equilíbrio de todos os segmentos sociais e políticos.

Muitos invocam o período militar como atributo de ordem e progresso. Sim, de certa maneira certo "militarismo" é saudável e necessário a manutenção da ordem. Não se trata de militarismo na concepção de matar ao primeiro delito ou deter prontamente sob simples suspeita de atitude que possa ferir os preceitos constitucionais da nação ou pôr em perigo os concidadãos - um belo exemplo é a lei aprovada nos EUA onde qualquer suspeita de ato de terrorismo a pessoa é presa, imediatamente. Sim, simples suspeita.

No Brasil invocam leis constitucionais democráticas de forma distorcida, ou seja, favorecimentos que possam livrar de condenação cujo ato realmente foi de lesionar direitos.

Assim foi no caso do direito ao voto secreto, a maioria dos parlamentares absolveram a deputada Jaqueline Roriz diante do escândalo e filmagens em que ela recebia dinheiro de forma ilícita. A justificativa dos parlamentares que a absolveram foi de que ela cometera o crime antes de ser parlamentar.

Há vários outros casos de corrupções, invocações constitucionais e mirabolantes jogos de politicagem em que o culpado se livra das acusações.
Outros acontecimentos que dizem respeito a distorção da democracia é o fato de os advogados, não todos, por terem conhecimentos técnicos das leis brasileiras, e até internacionais, de agirem apenas no benefício de seus STATUS - não perderem causas. Assim agem mesmo sabendo das tramoias de seus clientes e com petições conseguem que as sentenças sejam prescritas - lembrando que nem tudo que é legal é moral, ou seja, atos contrários as virtudes humanas como, por exemplo, honestidade. Um belo exemplo é do ex-jogador Edmundo.

Quem se lembra do caso do médico psiquiatra que ensinou a sua cliente a simular doença?

O próprio Montesquieu disse que a democracia é o fomento do povo ante o direito à vida digna, mas jamais desconsiderou a falta de força punitiva, eficiente, na democracia. Para muitos democracia é só direitos e nada de deveres. Quando se fala em punição alguns invocam erroneamente o conceito de punição com fatos passados de governos militares e da Idade Média. O próprio Sócrates disse que "a lei é dura, mas é lei".

Há de considerar que pessoas incapacitadas de responder civilizadamente - que exige empatia - jamais se adequarão aos preceitos pacíficos  de convivência humana. O rigor da lei deve ser aplicada. Rigor não quer dizer colocar tal indivíduo em solitária ou masmorras. Rigor é deter o potencial criminoso  - potencial é o ser que reincide em estupros, homicídios, furtos aos cofres públicos, lesões -, é sim mantê-lo longe do convívio social e, quando atestado por médicos habilidosos na ciência da psicologia humana comportamental, atestarem que tal indivíduo se encontra apto a retorna ao seio da sociedade.

Mas o que é sociedade ajustada, saudável? É a sociedade quando valoriza qualquer ser humano sem distinção de credo, etnia. É dar condições de o cidadãos se emancipar como pessoa e profissionalmente, e isto só é possível quando os atos corruptos e mesquinhos forem combatidos integralmente. É injusto cobrar razoabilidade ao ser faminto, sem acesso à saúde e à segurança pública enquanto a maior injustiça é o cercear ao direito de uma vida digna.



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O trabalho A diferença entre ditadura e democracia de Sérgio Henrique Pereira foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.

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Sobre o Autor:
Humanista que contribui para a efetiva aplicação do artigo 3°, da CF/1988; (objetivos fundamentais), do artigo 5°, da CF; (Direitos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana), do artigo 37 (princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; principalmente sobre a moralidade administrativa) da Constituição Federal de 1988; e Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana dos quais o Brasil é signatário. NÃO HÁ DIGNIDADE HUMANA NUMA NAÇÃO QUANDO A MAIORIA DO POVO NÃO TEM QUALIDADE DE VIDA SEJA POR: SALÁRIO MÍNIMO QUE NÃO ATENDE AS NECESSIDADES BÁSICAS (art. 7°, IV, da CF); ESCASSEZ OU AUSÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (art. 144, da CF); SERVIÇOS PÚBLICOS INEFICIENTES (LEI Nº 8.987, DE 13 DE FEVEREIRO DE 1995); IMORALIDADE DOS AGENTES POLÍTICOS (LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992); DOENÇAS PROVOCADAS POR PRECARIEDADE NA INFRAESTRUTURA DE SANEAMENTO BÁSICO (LEI Nº 11.445, DE 5 DE JANEIRO DE 2007); OMISSÃO, NEGLIGÊNCIA DAS AUTORIDADES PÚBLICAS QUANTO AO USO INDISCRIMINADO DE AGROTÓXICOS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA (LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989); VOTAÇÃO SECRETA DE PARLAMENTARES PARA ABSOLVER AGENTE POLÍTICO CORRUPTO..