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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Documentário mostra conexão entre corrupção e violência no Brasil

O diretor americano Jason Kohn acredita que seu documentário Manda Bala, rodado em São Paulo, traça um retrato "hiper-realista" do Brasil, "com elementos de ficção científica, no qual um político corrupto se parece mais com um personagem de Robocop, que retrata uma sociedade futurista deteriorada".

"A história do filme é que há uma conexão entre a corrupção política e violência urbana. E sobre como a corrupção, quer seja no Brasil ou em outra parte do mundo, não é apenas um crime de desvio de verbas, mas um crime violento. Seguindo a trilha do dinheiro, o filme vai de um político corrupto e chega a um sequestrador", disse Kohn, em entrevista à BBC Brasil.

Para estabelecer supostas ligações entre corrupção e o submundo do crime no Brasil, Kohn se valeu de uma gama bem diversificada de personagens e de imagens fortes, que mostram desde a milionária indústria de carros blindados do país até um vídeo pertencente à polícia no qual se vê uma vítima de sequestro tendo sua orelha arrancada por um sequestrador.

Ele ouve o ex-presidente do Senado, Jáder Barbalho, acusado de ter usado um centro de criação de rãs como forma de ocultar um desvio bilionário de verbas, o cirurgião plástico Juarez Avelar, que ganhou renome mundial ao desenvolver técnicas para restituir orelhas decepadas, e um assassino e sequestrador que se apresenta sob a alcunha de Magrinho e relata seus crimes com frieza.

O diretor, de 23 anos, nasceu em Nova York e é filho de uma paulistana e de um empresário argentino radicado em São Paulo. Ele fala português, ainda que, modestamente, não se julgue fluente, e visitou o país em inúmeras ocasiões.

De acordo com o diretor, o filme segue as convenções de uma trama de ficção.

"O filme não é de forma alguma jornalístico. O escândalo de corrupção que o filme mostra foi levantado há anos pela imprensa brasileira. E ele visa mostrar que seja no Brasil ou em outra parte do mundo, roubar bilhões de pessoas que não têm nada é um ato de uma violência extraordinária."

"Gostaria muito, muito, muito que o filme fosse exibido no Brasil. Primeiro, porque praticamente toda a equipe é brasileira."

A diretora de fotografia do longa, Heloísa Passos, foi premiada em Sundance.

"Mas não é só isso. É também um filme importante de ser visto pelos brasileiros."

O diretor afirma, no entanto, que, por enquanto, não é possível exibir o longa no Brasil, por motivos que prefere não mencionar, mas que estão ligados ao conteúdo explosivo do longa metragem.

Críticas no Brasil

Kohn refuta as críticas que teria recebido no Brasil, por pessoas que não chegaram a ver o longa-metragem.

"Ele já causou inúmeras reações negativas e ainda nem foi mostrado. As pessoas ficam indignadas que um americano, com um presidente como Bush, ouse falar o que quer seja sobre o Brasil. Infelizmente, o nacionalismo gera reações irracionais."

"Em primeiro lugar, eu nem mesmo votei nesse cara", diz o cineasta, emendando em seguida com outro adjetivo impublicável sobre o líder americano.

"Não vejo sentido em debater por que o filme foi rodado no Brasil. Não é um filme especificamente sobre o Brasil, porque esses crimes acontecem em todo o mundo. Ele é sobre como esses crimes estão ligados. Ele poderia ter sido rodado em Los Angeles ou em Lagos, outras grandes cidades que sofrem com os mesmos problemas."

Fonte: BBC

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Sobre o Autor:
Humanista que contribui para a efetiva aplicação do artigo 3°, da CF/1988; (objetivos fundamentais), do artigo 5°, da CF; (Direitos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana), do artigo 37 (princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; principalmente sobre a moralidade administrativa) da Constituição Federal de 1988; e Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana dos quais o Brasil é signatário. NÃO HÁ DIGNIDADE HUMANA NUMA NAÇÃO QUANDO A MAIORIA DO POVO NÃO TEM QUALIDADE DE VIDA SEJA POR: SALÁRIO MÍNIMO QUE NÃO ATENDE AS NECESSIDADES BÁSICAS (art. 7°, IV, da CF); ESCASSEZ OU AUSÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (art. 144, da CF); SERVIÇOS PÚBLICOS INEFICIENTES (LEI Nº 8.987, DE 13 DE FEVEREIRO DE 1995); IMORALIDADE DOS AGENTES POLÍTICOS (LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992); DOENÇAS PROVOCADAS POR PRECARIEDADE NA INFRAESTRUTURA DE SANEAMENTO BÁSICO (LEI Nº 11.445, DE 5 DE JANEIRO DE 2007); OMISSÃO, NEGLIGÊNCIA DAS AUTORIDADES PÚBLICAS QUANTO AO USO INDISCRIMINADO DE AGROTÓXICOS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA (LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989); VOTAÇÃO SECRETA DE PARLAMENTARES PARA ABSOLVER AGENTE POLÍTICO CORRUPTO..