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sábado, 28 de janeiro de 2012

Por que os prédios estão desmoronando no Brasil?

Três prédios que desabaram na noite de 25/01/2012, na Avenida 13 de Maio, no centro da capital fluminense, levantam suspeitos de integridades estruturarias dos prédios construídos há mais de trinta anos.
Cidadãos que moram em tais construções se sentem ameaçados de morte com os possíveis prédios construídos há mais de trinta nãos. O temor toma conta de quem mora e não tem como mudar para uma mais recente.
 
Estagnação da construção civil no Brasil

Na década de 1980 o Brasil teve estagnação na construção civil. A inflação forçava os cidadãos a deixarem de construir e reformar suas residências, imóveis. Os cursos oferecidos pelos SENAI ficaram demasiadamente caros, e ainda o são, aos cidadãos de baixa renda per capta – e pensar que tal instituição foi criada para profissionalizar cidadãos de baixa renda.

Na década de 1990 – iniciando com a era Collor – a construção civil no Brasil tomou força. Na era de Fernando Henrique Cardoso mais ainda a construção civil no Brasil ganhara força. Por anos de inflação, e falta de incentivos governamentais a qualificação profissional, não existiam, substancialmente, profissionais capacitados a atenderem as ofertas dos serviços de construção civil.
Inflação, desestímulo aos recém-saídos dos cursos do 2° grau quanto ao nível de empregos oferecidos, a carreira de engenharia civil teve evasão vultosa, assim como os cursos profissionalizantes para os que possuíam somente o 1° grau.
 
Verdades profetizadas

O que está acontecendo, os motivos que levam aos desmoronamentos, é o fato que a maioria das reformas não possui qualquer controle do CREA - CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA -, ou seja, o CREA desconhece tais reformas.
Reformar custa dinheiro, exige trâmites burocráticos que assegurem a eficiência, qualidade e segurança das reformas. Por estes motivos, cidadãos preferem pagar menos pelos serviços prestados por profissionais sem serem profissionais do ramo, no ramo de construção e reforma. O pagar menos é acordar de ambos os lados ao não colocar placas de aviso sobre a obra ou reforma porque desta maneira há fiscalização e o serviço prestado pode ficar mais caro – comparativamente se vê muito no Brasil o ato de “caso não queira nota fiscal, o serviço fica pela metade do preço”. Os resultados são desastrosos.

Contratar uma firma de engenharia, ou profissional qualificado para tal serviço, exige dinheiro. Profissionais como engenheiros, técnicos em edificações, pedreiros, bombeiros hidráulico, mestre de obras, os qualificados, que fizeram cursos reconhecidos pelo MEC, demandam tempo de estudos e, posteriormente, cobram preços dos serviços condizentes com suas qualificações profissionais.
Num país onde qualidade de vida é subjugada por um salário mínimo indecoroso, aliado ao costume cultural de Lei de Gérson, não é de se esperar que as contratações sejam feitas de forma perigosa, isto é, contratos visando apenas lucro e não segurança. Trata-se de questão cultural, ideologias na cultura brasileira que fomentam contratações visando apenas ao lucro obtido pelos descontos sem haver importância com o resultado: segurança.

Quem nunca contratou um pseudoprofissional para baratear o serviço? É o cidadão que faz serviço elétrico sem o menor conhecimento sobre resistência dos materiais, condutividade; o cidadão que constrói um alicerce sem conhecimentos de cálculos estruturais, resistência do solo. E assim caminha e se materializam os serviços no Brasil. Resultados: incêndios, desmoronamentos. O caso de Sergio Naya retrata a situação no Brasil quanto à construção civil:

“O desabamento do edifício Palace II, no Rio de Janeiro, em 22 de fevereiro de 1998, que provocou a morte de oito pessoas, além de deixar 150 famílias desabrigadas. A construção havia sido interditada pela defesa civil em 1996, quando a obra já estava atrasada, devido à morte de um operário que caíra no fosso de elevador, que apresentara defeito. Inicialmente, Naya tentou culpar os moradores pelo excesso de carga que teria causado o desabamento. A Construtora Sersan, empresa em que Naya era o principal acionista, porém não era o engenheiro responsável, construiu o edifício e foi acusada pelo Ministério Público de negligência por supostamente ter usado material barato e de baixa qualidade na construção do prédio. A empresa já havia sido processada quatro vezes antes do desabamento pela má construção, que impediu a obra de receber o habite-se. Segundo Naya: ‘se areia de praia desse concreto, mesmo de baixa qualidade, não haveria mais praias no Rio de Janeiro, pois não dá liga para o concreto’”. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
Importando mão de obra

Como há falta de mão de obra qualificada no Brasil, o governo brasileiro está importando. A realidade no Brasil também se deve que muitos dos profissionais recém-graduados não possuem capacidades técnicas reais para atender as exigências tecnológicas vigentes. O próprio MEC sabe disso e institucionalizou o IGC (Índice Geral de Cursos) que dá notas as universidades como forma de controlar e impedir a má preparação profissional. Mas não é algo confiável aos alunos universitários porque no meio do curso ou quase no término poderão se decepcionar com a má pontuação. Será que as empresas contratarão o estagiário oriundo de universidade com baixa pontuação?
 
Mercado de trabalho aos recém-formados em engenharia

Não importa se é engenheiro civil, mecânico ou elétrico. Existe uma concorrência desleal no Brasil. Para tender o contingente de profissionais recém-formados em engenharia o Brasil teria que virar Abu Dhabi. E o que dizer dos que não tem nível universidade, mas possuem técnico? Ambos os profissionais, engenheiros e técnicos, perdem mercado de trabalho pelos pseudoprofissionais dos quais participam de uma a cinco empreitadas e se dizem “profissionais”. Sem quaisquer qualificações começam a desenvolver a profissão adquirida na prática braçal. Fomentados pelos desejos de lucro certo, os consumidores ávidos por estes profissionais abrem mercado de trabalho para eles. Sem qualificação acadêmica constroem, reformam, instalam. No final, o consumidor se vê diante de uma verdadeira situação perigosa e os resultados são desesperadores. O barato sai caríssimo.

Mudanças culturais, politicas e econômicas

O Brasil vem mudando, queira ou não, apesar do que se fala. Falta muito, claro, mas com a participação politica é que se verão mudanças no quadro semicaótico do Brasil. Tal mudança acontecerá quando:

1) Os governantes, honestos, fizerem medidas preventivas e corretivas aos governantes corruptos;
2) A politica de desenvolvimento nacional visar qualificação dos brasileiros em todos os níveis socioeconômicos de tal forma que será menos necessário importar mão de obra qualificada. Para isso é necessário fornecer escolas, colégios e universidades de qualidade e dar oportunidades de acesso a todos sem as burocracias vigentes de prestar vestibular. Tal medida é abolida em muitos países uma vez que se reformulou o ensino dando desde os primeiros anos de vida do individuo qualidades técnicas na formação. O Brasil vive secularmente atrasado nesta questão. Darcy Ribeiro já vinha retrucando a forma em que o Brasil vivia quanto à formação estrutural do ensino. Tinha em mente a abolição dos vestibulares por incentivos fundados no ensino de base. Mas a burocracia – lobistas dos cursos pré-vestibulares, aliados aos corruptos políticos brasileiros – inviabilizou o sonho promissor de igualdade entre as camadas sociais e ao desenvolvimento brasileiro;
3) O povo, indiferente de estratificação social, a agir com discernimento e não se basear na Lei de Gérson: “leve vantagem em tudo”. É o se pautar na condição de vigilante e defensor da harmonia política-social-econômica, ou seja, não compactuar-se com a corrupção seja em qualquer setor da sociedade, é agir para melhoria da nação onde as bases de desenvolvimento profissional, moral e intelectual devem começar pelo ensino do 1° grau. É imperioso ao Brasil acabar de vez com medidas paliativas que geram cada vez mais discriminações, intolerâncias;
4) Cada profissional seja de qual segmento for deve denunciar os que violam a ética profissional. É comum em áreas do saber especifico profissionais se protegerem e, desta forma, forma uma rede que ferem direitos. Denunciar um colega de profissão que fere direitos alheios não é ser “antiético”, mas, sim, ter hombridade e respeito pelas leis institucionalizadas, democráticas, do país. E democracia, antes de tudo, é o preceito da defesa e perpetuação das virtudes humanas.

Licença Creative Commons
O trabalho Por que os prédios estão desmoronando no Brasil? de Sérgio Henrique Pereira foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.

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Sobre o Autor:
Humanista que contribui para a efetiva aplicação do artigo 3°, da CF/1988; (objetivos fundamentais), do artigo 5°, da CF; (Direitos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana), do artigo 37 (princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; principalmente sobre a moralidade administrativa) da Constituição Federal de 1988; e Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana dos quais o Brasil é signatário. NÃO HÁ DIGNIDADE HUMANA NUMA NAÇÃO QUANDO A MAIORIA DO POVO NÃO TEM QUALIDADE DE VIDA SEJA POR: SALÁRIO MÍNIMO QUE NÃO ATENDE AS NECESSIDADES BÁSICAS (art. 7°, IV, da CF); ESCASSEZ OU AUSÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (art. 144, da CF); SERVIÇOS PÚBLICOS INEFICIENTES (LEI Nº 8.987, DE 13 DE FEVEREIRO DE 1995); IMORALIDADE DOS AGENTES POLÍTICOS (LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992); DOENÇAS PROVOCADAS POR PRECARIEDADE NA INFRAESTRUTURA DE SANEAMENTO BÁSICO (LEI Nº 11.445, DE 5 DE JANEIRO DE 2007); OMISSÃO, NEGLIGÊNCIA DAS AUTORIDADES PÚBLICAS QUANTO AO USO INDISCRIMINADO DE AGROTÓXICOS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA (LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989); VOTAÇÃO SECRETA DE PARLAMENTARES PARA ABSOLVER AGENTE POLÍTICO CORRUPTO..