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domingo, 26 de outubro de 2014

A relação política de Crivella e Garotinho: de que lado está a verdade, a ingratidão e o interesse pelo povo?

Um comentário acerca da matéria publicada no Blog do Garotinho intitulada “A ingratidão do Senador Marcelo Crivella”.

@RubensTeixeira

Há décadas acompanho o cenário político brasileiro em todas as suas esferas, principalmente no estado do Rio de Janeiro. Nas eleições de 1982, vários líderes políticos beneficiados com a anistia voltaram à cena na política nacional. No Rio de Janeiro, despontou-se Leonel Brizola, que fez discípulos, dentre eles,

Garotinho e Cesar Maia, que, quando se viram fortalecidos, seguiram carreiras próprias distantes do mestre. Brizola manteve-se firme até seus últimos dias, defendendo suas posições, mesmo que algumas fossem polêmicas.

Em 1998, Garotinho elegeu-se governador do Rio de Janeiro com o apoio dos evangélicos e, para substituí-lo, em 2002, elegeu sua esposa Rosinha governadora, enquanto concorria à presidência da República, com o apoio dos evangélicos, inclusive da Igreja Universal.

Derrotado na campanha presidencial, engajou-se em influir no governo de Rosinha, de quem foi secretário de segurança. Como foram os governos do casal, cada um faça a sua própria análise. A realidade é que houve um momento político muito crítico em que Garotinho anunciou uma greve de fome, na qual não se sabe qual o limite de restrição nutricional a que se expôs, entretanto, não causou o impacto esperado. Afirmou publicamente que só a abandonaria se houvesse supervisão internacional das eleições no Brasil ou espaço na mídia para direito de resposta. Nem uma coisa nem outra aconteceu. Garotinho ficou ‘armadilhado’ por suas palavras.

Rosinha, sua esposa, pediu ao então senador Crivella que conseguisse espaço na mídia, pois nenhuma se dispôs a lhe dar voz. Crivella, compadecido, apelou à Rede Record até vencer a resistência da emissora, como era as demais, em lhe dar a palavra.

O resultado foi que Rosinha deu entrevista no horário nobre da emissora, no Domingo Espetacular, e pôde tirar seu esposo do constrangimento e, talvez, da fome. Depois disso, como gratidão, Garotinho lançou Cabral como sucessor de Rosinha. Cabral, pupilo de Garotinho, foi presidente da ALERJ nos mandatos de Garotinho e da sua esposa. O casal construiu Cabral. Fato tão real quanto poético e musical.

Neste momento, Crivella tornou-se uma ameaça à eleição de Cabral e Garotinho envidou todos os esforços para asfixiar sua candidatura. Para isso, juntamente com um pastor muito falante, polêmico e ativista, que gosta de influir de forma pouco previsível na política, foram para uma rádio que explora o mercado evangélico no Rio de Janeiro, cercaram Crivella aos gritos em uma tremenda armadilha. Eu ouvi essa baixaria. Aos gritos, o falante pastor contradisse Crivella quando este afirmou que Cabral tinha uma PEC que contrariava princípios cristãos. O pastor afirmou que Cabral havia pedido arquivamento. Não era verdade, como a imprensa noticiou logo a seguir.

A eleição para governador foi para o segundo turno e Crivella, em terceiro lugar, era o fiel da balança. Para garantir o interesse do povo do Rio de Janeiro e trazer investimentos federais para o estado, Crivella apoiou Cabral, que, ao ser eleito, deu as costas para o casal Garotinho. Isso levantou grande revolta entre os ex-aliados. Crivella, mesmo depois das hostilidades que sofreu do grupo de Garotinho, quando fizeram de tudo para eleger Cabral, escolheu ser o responsável de uma aliança entre Lula e seu ex-oponente, então senador Sérgio Cabral.

O pastor falante, um dos principais cabos eleitorais de Cabral no meio evangélico, que se apresentou em horário eleitoral para falar que o apoiava porque “Cabral tinha voo próprio”, jamais foi a público explicar o que queria dizer com isso. Cabral desprezou muitos temas que os cristãos defendem e seguiu seu voo próprio, ignorando seu falante cabo eleitoral e seu mentor Garotinho.

Felizmente, pela parceria criada, o Rio de Janeiro foi beneficiado com muitos investimentos federais porque Crivella deixou de lado seu interesse pessoal, enquanto Garotinho e Cabral tornaram-se ferrenhos inimigos. Mesmo assim, após isso, Crivella e IURD apoiaram Rosinha como candidata a prefeita de Campos. Na primeira chance que teve, Garotinho deu o troco a Cabral e fez o que pôde para impedir que o candidato de Cabral ganhasse uma vaga no Senado Federal.  Assim, lutou contra a eleição de Piccianni. Como o candidato mais viável era Crivella, o apoiou. Mas, certamente, Garotinho poderia ter feito mais para ajudar Crivella em gratidão ao apoio dado a Rosinha em Campos e tudo o que havia feito antes.

Crivella não é dado a decidir com o fígado, mas pensa no efeito de suas ações sobre o povo do estado que representa e, por isso, tem grande reconhecimento. Hoje, o esforço das rádios ‘evangélicas’ do Rio de Janeiro e dos ‘líderes evangélicos’ que gostam de palanque e investiram todas as cartas ao longo do tempo para associar a imagem de Crivella à IURD, ao Bp Macedo etc, viram que suas munições não funcionam. A ONG Transparência Brasil considerou Crivella um dos três senadores que apresentaram mais projetos relevantes para o Brasil, enquanto a Revista Veja o colocou entre os cinco senadores mais atuantes.

Argumentos preconceituosos de setores importantes da mídia e de ‘líderes evangélicos’ que literalmente negociam apoio político enquanto deveriam estar se doando para alcançar os que sofrem, já não ‘colam’ mais porque a sociedade percebeu que quando falta hospital, eles não exigem solução dos políticos aliados. O fato do Rio de Janeiro ser um dos piores estados do país em termos de ensino fundamental e médio, não faz esses tais ‘líderes’ se mexerem pelas suas crianças, adolescentes e jovens. Afinal, seus filhos, ou netos, não estudam nessas escolas quebradas e mal aparelhadas, onde faltam professores, infraestrutura adequada etc. O que importa são seus interesses pessoais.

Crivella, que doou mais de 10 milhões de direitos autorais para construir e manter a Fazenda Canaã, doou casas para várias pessoas extremamente pobres no Rio de Janeiro e sempre ajudou muita gente, mesmo que anonimamente e com seus próprios recursos, não se ajoelha para poderosos negociadores da política, incluindo ‘líderes’ que gostam de vender e comer a carne de ovelhas, especialmente no período eleitoral. Se isso serve para provocar a reflexão, questione-se: nessa história, todos, exceto Crivella, tiveram a sua oportunidade de fazer a diferença ao estar no governo do Estado. Passado seus mandatos, o clamor do povo é o mesmo: educação, saúde, segurança, transporte etc.

A questão não é quem foi ingrato com quem, porque não podemos admitir apenas trocas políticas em benefício de candidatos como a coisa mais interessante na formação de um governo. A questão é: quem está do lado do povo e quem está de outro lado, seja do crime, do poder econômico, dos negociadores de ovelhas, ou de ‘líderes’ de qualquer natureza e que tenha esse comportamento egoísta, fisiologista e que apoia, em troca de benefícios pessoais, independente do que o povo esteja sofrendo.

* Rubens Teixeira é doutor em Economia (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em auditoria e perícia contábil (UNESA), engenheiro civil (IME), Formado em Direito (UFRJ), aprovado para a OAB/RJ, bacharel em Ciências Militares (AMAN),  professor, escritor, membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, dos Juristas de Cristo e da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra.

Rubens Teixeira

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Sobre o Autor:
Humanista que contribui para a efetiva aplicação do artigo 3°, da CF/1988; (objetivos fundamentais), do artigo 5°, da CF; (Direitos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana), do artigo 37 (princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; principalmente sobre a moralidade administrativa) da Constituição Federal de 1988; e Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana dos quais o Brasil é signatário. NÃO HÁ DIGNIDADE HUMANA NUMA NAÇÃO QUANDO A MAIORIA DO POVO NÃO TEM QUALIDADE DE VIDA SEJA POR: SALÁRIO MÍNIMO QUE NÃO ATENDE AS NECESSIDADES BÁSICAS (art. 7°, IV, da CF); ESCASSEZ OU AUSÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (art. 144, da CF); SERVIÇOS PÚBLICOS INEFICIENTES (LEI Nº 8.987, DE 13 DE FEVEREIRO DE 1995); IMORALIDADE DOS AGENTES POLÍTICOS (LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992); DOENÇAS PROVOCADAS POR PRECARIEDADE NA INFRAESTRUTURA DE SANEAMENTO BÁSICO (LEI Nº 11.445, DE 5 DE JANEIRO DE 2007); OMISSÃO, NEGLIGÊNCIA DAS AUTORIDADES PÚBLICAS QUANTO AO USO INDISCRIMINADO DE AGROTÓXICOS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA (LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989); VOTAÇÃO SECRETA DE PARLAMENTARES PARA ABSOLVER AGENTE POLÍTICO CORRUPTO..