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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A corrupção secular no Brasil. E o idiotismo midiático

O ser racional enquanto irracional

Corrupção! Palavra que está em voga. Desde junho de 2013, através das manifestações populares, a palavra corrupção ganhou manchetes e vozes. Analisando a essência da corrupção no Brasil, ela é muito antes do descobrimento do Brasil. Pois corrupção, para existir, precisa de seres humanos.

Nas tribos indígenas brasileiras, o corrupto era morto. A Coroa Portuguesa tinha suas leis, as quais condenavam à morte os corruptos. Dizer que a corrupção, como se tem feito, pela mídia da Direita, não é liberdade de expressão ou de imprensa, mas de perseguição à Esquerda.

Também a mídia da Esquerda não pode justificar os atos de corrupções no PT como sendo algo trivial no Brasil, isto é, contumaz e não sendo criação do PT. As falácias, as tentativas de controle de massa, como é a imprensa brasileira, desde tempos longínquos, é o grande mal para a democracia.

O Brasil vive uma guerra ideológica, de um lado, a Direita, de outro, a Esquerda. Quem é melhor? Nenhum dos dois, quando se há protecionistas aos atos corruptos de seus filiados partidários. Há um jogo esdrúxulo dentro das Casas [Congresso Nacional] que visam, apenas a ciranda das cadeiras. Ou seja, as cadeiras dos presidentes, das Casas, não é a cadeira a beneficiar o povo, mas aos próprios parlamentares e seus partidos políticos.

O povo, o detentor de direitos, apenas assiste perplexo, as estapafúrdias dos "representantes". Cargo público, como sempre foi no Brasil, não é cargo que vise ao interesse do povo, mas de quem se "apodera" dos cargos.

Ora, a corruptela é um grande mal do Brasil, não importando suas origens, pois são tão pretéritas que teríamos que ir ao encontro da origem da humanidade. Ganância, algo inerente ao ser humano. A educação civilizatória, ou verniz civilizatório, é o mecanismo social capaz de mudar o contexto brasileiro, que não é somente dos agentes públicos, no entanto cultural.

A corrupção salta aos olhos quando é cometida por agente público, mas não por particular. Afinal, os suores dos proletariados estão sendo canalizados para o enriquecimento ilícito dos agentes, e não dos próprios proletariados. Contudo, a corrupção no setor privado existe, e ninguém reclama muito.

São os atos comuns de:

  • Não dar nota fiscal;
  • Falsificar documento público, como Carteira Nacional de Habilitação;
  • Falsificar carteira de estudante, para conseguir pagar meia entrada;
  • Furto de sinal de TV a cabo;
  • Corrupção ativa, como subornar o agente da autoridade de trânsito para o infrator não ser multado;
  • Sonegar imposto de renda;
  • Colocar água de torneira em garrafa plástica para comercializá-la como "água mineral";
  • Vender pacotes de serviços — as operadoras de telefonias são exímias nisto — sem explicar, ao consumidor, as cláusulas contratuais, como a multa contratual por desistência [o que é crime, pois nada pode ser omitido ao consumidor, ou seja, qualquer cláusula no qual sendo ciente o consumidor, este poderia desistir do contrato];
  • O vendedor de "mel" [melado] em garrafa nas vias públicas;
  • O lojista que coloca preço na vitrina, mas ao registrar a compra é outro. E muito comum tal ludibriar, de preços desconexos, nos supermercados;
  • A prática de venda casada, principalmente nas agências bancárias. Ou a não informação de cesta básica de serviços bancários ao cliente que deseja abrir alguma conta;
  • As assistências técnicas que colocam "retirada obrigatória em 90 dias, ou o produto será vendido para custear mão de obra etc.";
  • Os supermercados, lojistas etc. Que colocam preços R$ 1,99, R$ 0,99 etc. Para conseguirem retirar dinheiro dos consumidores de forma criminosa contra a economia popular. Se há falta de troco, que arredonde o preço para dar o justo troco ao consumidor. Tal prática é contumaz;
  • O profissional liberal: que não fornece contrato, nota fiscal ao cliente; que cobra consulta ao cliente que já vez contrato; que usa de material de má qualidade comprometendo à segurança do consumidor etc.;
  • As montadoras de automotores que lançam no mercado, ano após ano, veículos inseguros, contudo, sempre visando o lucro diante da concorrência;
  • O pasteleiro que vende pastel com "catupiri", que, na realidade, é requeijão;
  • A cobrança indevida ao consumidor que perdeu a comanda;
  • O consumidor que mente ao fornecedor de serviço ou produto sobre o uso indevido por que não leu o manual de instruções.

Enfim, são tantas as maneiras de corrupção, quanto são as imaginações perversas de quem a comete. A corrupção brasileira é endêmica, fato. O sistema de corrupção que se formou no Brasil faz com que todos os cidadãos agem assim. O Estado, em si, não tem culpa, pois quem lhe dá vida são os seres humanos. O Estado Democrático de Direito também não tem culpa, assim como as instituições democráticas. O problema está no inconsciente coletivo.

Todavia, o sistema de corrupção brasileiro, após a Constituição de 1891, pois foi promulgada, deve-se às concepções teóricas de darwinismo social e eugenia. A oligarquia e a aristocracia moldaram todo o sistema político e jurídico brasileiro para atender às suas "necessidades". Da difícil condição desumana dos párias a própria sobrevivência, a corrupção se tornou o único caminho a seguir. E como se explica, então, a corrupção das elites brasileiras, já que tinham condições econômicas capazes de lhes dar qualidade de vida?

Se por um lado a ganância da elite criou a corrupção, a miséria dos párias forçou-lhes a ser corruptos. Porém, não é uma justificativa plausível explicar as maneiras que desencadearam comportamentos corruptos, de ambos. Famílias paupérrimas, mesmo diante de suas condições, jamais cometeram crimes, assim como famílias ricas. Conclui-se, então, que é a personalidade do indivíduo que o direcionará para certos comportamentos. O ambiente influência, mas não determina.

Por exemplo, mesmo durante a escravidão negra colonial brasileira, ainda assim havia senhores que tratavam seus escravos com o mínimo de dignidade, o que era "anormal". Períodos históricos brasileiros demonstram que certas pessoas, mesmo diante dos costumes sociais, não aceitavam a "normalidade" dos acontecimentos. Por quê? Educação universalista, de que todos são iguais, perante as leis dos homens e às leis de Deus.

Quais os motivos que os levaram a pensar em uma sociedade igualitária, senão a capacidade de se colocar no lugar de outro ser humano. Mesmo com leituras sobre, por exemplo, direitos humanos, não há pessoas que mudem seus comportamentos. Mudar exige o enfrentamento do medo ao novo. O ser humano, mesmo neste século, tem medo de mudanças. A zona de conforto hipnótico lhe mantém arraigado a certos valores transmitidos por seus pais, pela cultura. Vencê-los não é tarefa fácil. Mudar de opinião "retira" a tábua de salvação do náufrago; agarra-se firmemente, mesmo que próximo esteja um bote salva vidas. O medo paralisa.

O medo da extinção, o medo milenar da humanidade. No entanto, tal medo tem demonstrado que desse medo se construiu sofisticadas máquinas de destruição em nome da verdade. O medo do medo criou o medo do ser humano a si mesmo. Não é preciso outro ser humano perto, o medo de ser “anormal” ou “incapacitado” o faz tremer de medo diante de si mesmo. A personalidade própria é vista como um mal. Busca-se, então, uma nova identidade, mas qual? Ao que os olhos veem e a mente acha que é belo ou correto. Analogia aos primeiros seres humanos, os quais buscavam fora de si a garantia de estar em consonância com o pulsar da vida.

Século XXI, quantas transformações virão? Quantas culturas, quantas pessoas terão que sucumbir diante de “verdades” forjadas pelo ódio, pela ganância? A corrupção representa o mundo interno de cada pessoa. O lograr de êxito é, para si, a sobrevivência, mas, além disto, sentir-se invencível, como os trogloditas que se amedrontavam pelo raio que rasgava o ar.

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Sobre o Autor:
Humanista que contribui para a efetiva aplicação do artigo 3°, da CF/1988; (objetivos fundamentais), do artigo 5°, da CF; (Direitos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana), do artigo 37 (princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; principalmente sobre a moralidade administrativa) da Constituição Federal de 1988; e Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana dos quais o Brasil é signatário. NÃO HÁ DIGNIDADE HUMANA NUMA NAÇÃO QUANDO A MAIORIA DO POVO NÃO TEM QUALIDADE DE VIDA SEJA POR: SALÁRIO MÍNIMO QUE NÃO ATENDE AS NECESSIDADES BÁSICAS (art. 7°, IV, da CF); ESCASSEZ OU AUSÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (art. 144, da CF); SERVIÇOS PÚBLICOS INEFICIENTES (LEI Nº 8.987, DE 13 DE FEVEREIRO DE 1995); IMORALIDADE DOS AGENTES POLÍTICOS (LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992); DOENÇAS PROVOCADAS POR PRECARIEDADE NA INFRAESTRUTURA DE SANEAMENTO BÁSICO (LEI Nº 11.445, DE 5 DE JANEIRO DE 2007); OMISSÃO, NEGLIGÊNCIA DAS AUTORIDADES PÚBLICAS QUANTO AO USO INDISCRIMINADO DE AGROTÓXICOS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA (LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989); VOTAÇÃO SECRETA DE PARLAMENTARES PARA ABSOLVER AGENTE POLÍTICO CORRUPTO..